"Someone that asks "How can we build a silicon valley?" has probably ensured failure by the way they framed the question. You don't build a silicon valley; you let one grow" by Paul Graham
Tentarei ser tão sintético quanto necessário, nestes dias de turbulência informativa (virtual).
Porquê empreender? Por tudo o que já se sabe: criar valor, riqueza, dinâmica, etc. Porquê eu? Porque sinto dinamismo, porque tento estar atento ao mundo, aos seus fenómenos e sub-fenómenos e, basicamente, por não gosto do status quo… Como uma amiga de Silicon Valley uma vez me chamou: sou um “mover and shaker” (adaptando ao meu pequeno mundo e realidade). Ou seja, quero ver coisas a acontecer. Gosto de sentir o prazer das realizações, ainda que não seja, necessariamente, de vitória.
Recentemente lancei um desafio a mim mesmo: escrever sobre 100 ideias de negócio, transformadas em empresa. Devo dizer que não é fácil encontrar 100, principalmente porque gostaria de me cingir ao fenómeno web 2.0, isto é, a ideias que se catapultaram pela internet e criação de rede/comunidade. Ainda assim, persistirei no desafio. Assim, após o convite do Felipe e Tiago, passarei a incluir os posts deste projecto numa categoria chamada “100 Business Models Project“. O objectivo é, basicamente, alargar o espectro de negócios conhecidos e, mais uma vez, perceber os fenómenos que os rodeiam. Se, depois disso, surgirem outras ideias, adaptações ou realizações, tanto melhor!
Recentes estudos académicos e artigos da opinião especializada, apontam a Aversão ao Risco como uma das principais causas do ainda limitado volume de empreendedorismo existente em Portugal. Ok, mas afinal, o que é a Aversão ao Risco e porque ela pode impedir alguém de ser mais empreendedor?
Segundo a knoow.net, a existência de aversão ao risco “significa que, numa situação de incerteza, o mal-estar associado à perda de um determinado montante de rendimento é superior ao bem-estar proporcionado pelo ganho desse mesmo montante de rendimento.”
a person who organizes, operates and assumes the risk for a business venture
…chegamos facilmente a conclusão que aversão ao risco e empreendedorismo são incompatíveis.
Assim, para ser empreendedor é preciso não temer, entender, e até mesmo apreciar o risco! Sendo este modo de viver as coisas equivalente ao sentimento de não ter medo de falhar!
Falhar, Falhar, Falhar!
Apesar de ser o oposto do sucesso, infelizmente, falhar tem-se tornado, gradualmente, numa palavra-chave nas apresentações sobre empreendedorismo. Recentemente, tenho visto muita gente usá-la indevidamente com o objectivo de motivar jovens a serem empreendedores, através do apreciar e aprender com os insucessos, referindo ainda o falhar como passo importante para atingir o sucesso. Não se enganem, apesar de não ser o final do mundo, falhar continua a ser a pior coisa que vos pode acontecer ao entrarem numa business venture!
Um recente estudo da Harvard Business School, conduzido pelos professores Paul Gompers, Josh Lerner and David Scharfstein, com centenas de empreendedores falhados e de sucesso, permitiu tirar algumas interessantes conclusões sobre este tema:
First-time entrepreneurs receiving VC funding had a 22 percent chance of success, defined as taking a company public.
Already-successful entrepreneurs had a 34 percent chance of also succeeding in their next venture.
Entrepreneurs whose companies cratered had almost the same follow-on success rate as the first-timers: 23 percent.
Assim, podemos ver que enquanto os empreendedores de sucesso aumentam as suas probabilidades de serem bem sucedidos novamente (ver também The PayPal Mafia), os empreendedores falhados mantém-se muito próximos dos empreendedores novatos na taxa de sucesso em novas iniciativas!
Conclusões
Ao analisar diversos casos de sucesso na área do empreendedorismo, percebemos que para avançar com uma nova business venture é preciso não ter aversão ao risco, ou seja, é preciso acreditar em si e no projecto, sem ter medo de falhar.
Mantendo o foco no sucesso, as exigências individuais e colectivas sobem, tornando as probabilidades de sucesso também mais altas. Por outro lado, apesar de falhar ser um dos cenários possíveis em qualquer iniciativa, independentemente de ser possível aprender lições com essa experiência, as consequências do falhar não devem ser romantizadas e suavizadas.
Falhar não é um pré-requisito para o sucesso. Falhar não é um passo em direcção ao sucesso! Falhar é a pior coisa que pode acontecer, e assim, deve ser evitado ao máximo.
Não digo que aprender com erros não seja importante para crescer, mas muito mais importante é aprender com os sucessos! Por isso, aprenda com os insucessos, mas idealmente com os insucessos dos outros!
Os erros não precisam de ser seus, os que devem ser seus são os sucessos!
Desde o início deste projecto que pretendíamos alargar a escrita do n’Ship a outros autores que demonstrassem identificar-se com o estilo de empreendedorismo informal, objectivo e prático que por aqui pregamos e ao mesmo tempo tivessem algo a acrescentar ao blog.
Apesar deste interesse, não tínhamos qualquer pressa de encontrar estes potenciais autores pois sabíamos que eles cruzariam o nosso caminho e quando aparecessem marcariam a diferença. E assim foi…
Recentemente, um projecto bastante interessante bateu a porta do n’Ship e com ele surgiu um empreendedor cheio de valor, acções e ideias de negócio! Depois de um encontro e uma boa conversa não tivemos dúvidas e convidamos-o a juntar-se ao leque de autores do nosso blog tendo a resposta sido positiva.
Assim, este empreendedor que chama-se Gonçalo Cruz e é Chief Visionary Officer da Jump Willy e Co-Founder da Uou, passará a escrever os seus pensamentos sobre empreendedorismo e sobre o projecto “100 Business Models” (brevemente mais novidades) no n’Ship.
Recentemente escrevi sobre o que é um Elevator Pitch e quais as características que fazem a diferença na criação de um pitch deste género. No entanto, um bom Elevator Pitch não é suficiente para conseguir um investimento, uma compra ou um simples acordo!
Sendo a primeira fase de um processo, um bom Elevator Pitch não leva directamente para um acordo, mas apenas gera um interesse por saber mais. Assim, após um pitch sucessivo, é necessário estar preparado para a fase das perguntas e respostas (Q&A)!
Qual o volume de vendas/encomendas?
Quais são os custos fixos?
Quem é a concorrência?
Existe algo de proprietário no produto, tecnologia ou processo?
Quanto do próprio dinheiro os promotores já investiram no projecto?
… são algumas das perguntas que o empreendedor deverá estar pronto para responder com segurança, sinceridade e confiança, dando sempre a indicação de que conhece bem o mercado no qual está inserido.
Ultrapassada a fase das perguntas e respostas, é hora de entrar na fase final e decisiva do processo… a fase de negociação dos valores envolvidos na proposta. Nesta fase, normalmente a mais tensa e delicada, é fundamental analisar o contributo e a importância que o possível parceiro traz para o processo, de modo a avaliar bem qual é a gama de valores na qual a negociação é proveitosa e de igual forma aproveitar ao máximo as oportunidades que o negócio pode trazer.
Para acabar, deixo-vos com Jonathan Millers, da empresa Element Bars, que apresenta o seu Elevator Pitch para os 5 Venture Capitalists do programa americano Shark Tank, tendo um desempenho especialmente exemplar na negociação com os “tubarões”.
Parte 1
Parte 2
Facilmente, um dos melhores Elevator Pitch + Q&A + Negotiation que vi nos últimos tempos.