"Someone that asks "How can we build a silicon valley?" has probably ensured failure by the way they framed the question. You don't build a silicon valley; you let one grow" by Paul Graham

Pedro Campos vencedor Vodafone AppStar

Posted: Agosto 9th, 2010 | Author: tiagomatos | Filed under: Geral, In Loco, Start-ups
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Pedro Melo, antigo aluno do Mestrado em Informática da Faculdade de Engenharia do Porto (FEUP), é um apaixonado por tecnologia, puzzles e música. Não era difícil encontrá-lo a completar um Rubik Cube em menos de dois minutos apenas de memória e a implementar algoritmos genéticos durante os seus tempos na FEUP.
Desde há vários meses que decidiu deixar a conveniência do horário das nove às cinco e desenhar o seu próprio trilho. Esse trilho guiou-o através do desenvolvimento de software para plataformas móveis para vários clientes acabando por chegar à vitória do concurso por votação “App Star” da Vodafone.

O “App Star” tratou-se de um concurso entre aplicações para dispositivos móveis, um sector que Pedro acredita se tornará “tão grande como a web” especialmente depois da verdadeira “gold rush” à App Store e, consequente, sedimentação dos dispositivos móveis entre aplicações B2B (Business-to-Business).

Filho de peixe…
Filho de Engenheiro Electrotécnico, “era um daqueles engenhocas que mexia e arranjava tudo. Fazia planos de experiências. Cheguei a fazer uma campainha e um rádio.”
Na quarta classe, com 10 anos, altura em que os miúdos têm dificuldades com a propriedade comutativa da adição, Pedro programava em BASIC num computador daqueles “só com uma cor” com o pai e conta que “fizemos juntos (mais ele que eu) um jogo do galo com uma inteligência artificial imbatível!”

Engenharia Informática
Talvez à semelhança dos seus próximos, começou em Engenharia Electrónica na FEUP mas sempre se inclinou para as disciplinas ligadas à informática, principalmente “as de programação e de lógica” e decidiu mudar.
Afirma que foi uma boa decisão “gostei muito de Informática e conheci [na FEUP] professores e alunos que ainda são a minha inspiração”.
No entanto ressalva que o curso ainda podia ser melhorado pois “na altura que tirámos o curso, estava ainda no início a revolução Web 2.0 e por acontecer a da programação móvel e não havia grande ênfase nestas áreas”.
No final, “o importante é que ficámos com uma boa preparação para pensar “meta“, abstrair qualquer problema, de nos adaptarmos rápido, que é o mais importante. É uma capacidade que não é fácil de transmitir. No geral, acho o nosso curso melhor que o da Universidade de Bristol, onde também estudei.”

A preparação
A n’Ship sabe que depois de acabado o curso, Pedro começou por trabalhar em vídeo profissional numa empresa do Porto. Em comparação “por muito que adore o mundo académico, a faculdade é um mundo muito teórico, em que muito do conhecimento parece servir apenas para ser aprofundado, refinado e transmitido. No mundo empresarial tudo é aplicado, tudo é pragmatismo.”.
Até a rotina foi tomada como uma mudança positiva para Pedro: “a rotina foi uma boa surpresa: o
tempo rende mais em menos horas”
apesar de achar excessivas as oito horas de trabalho numa área tão exigente como a informática.
Esta empresa, sendo uma spin-off de um grupo de investigação, trabalhando com tecnologias inovadoras e com um bom ambiente de trabalho, assemelha-se em muito à que Pedro sempre desejou ( e agora deseja ) criar com amigos seus.

O salto
À nossa semelhança, Pedro acreditava que ia “dar o salto” antes de cinco anos depois de terminado o curso. Não conseguindo resistir ao apelo, fê-lo mais cedo apesar de bem ciente que a “falta de experiência é uma boa razão para não dar o salto”. Em perspectiva “podia ter tido um percurso antecedente a este, fazer contactos e ganhar know-how do mercado português”, no entanto, em retrospectiva a falta de experiência colmatou-se com muito “hands-on” em trabalho prático.

“Criar valor, criar emprego para si e para outros, ser o seu patrão, criar bom ambiente de trabalho, fazer avançar as áreas do meu interesse e arriscar”

foram as principais motivações que levaram Pedro a deixar o emprego.

Antes, “tínhamos [com colegas de faculdade] grandes discussões sobre o futuro das várias áreas do software, muitas ideias de produtos que poderiam funcionar (…) mas os planos eram ambiciosos demais para fazer a part-time.” Juntaram alguns fundos, escolheram e anunciaram uma data propícia e despediram-se.

“Sabe muito bem poder trabalhar exactamente naquilo que queremos e exactamente da forma que queremos. Colher os frutos do nosso trabalho, ter as rédeas na mão. Ao mesmo tempo, sentir que se está a dar mais à nossa comunidade do que conseguiríamos de qualquer outra forma e a ajudar pessoas à nossa volta e não só nós mesmos.”

O caminho
“Antes dos primeiros sucessos, é difícil vencer os medos e manter a motivação.” Sendo este um tempo de crise e não contando com investimento de terceiros, sempre acreditaram neles mesmo e no trabalho que realizavam e aprenderam a “confiar mais na nossa opinião do que pessoas à nossa volta, mais prudentes e conservadoras, quando nos diziam que estávamos a arriscar demais, a sair dos carris.
No entanto, e infelizmente, por vezes conclui-se “que a solução super elegante que engendramos e com que andámos a sonhar não é rentável” por isso vale sempre fazer um pouco o papel de “advogado do diabo” e estar sempre preparado para “o pior cenário possível e antecipar como reagiremos.”

Os medos e as negociações ganham outra importância e podem mesmo afectar as relações (…) se não soubermos pôr egos de lado e forçar-mo-nos a pensar objectivamente.

“Também demorou até conseguirmos tratar das burocracias da empresa e não descurarmos a relação com clientes.”

Empreender
Pedro sugere que “existe uma aura à volta do empreendedor, mas também um certo cinismo perante ele.” Parece-me que aos olhos do mundo o empreendedorismo está reservado para os mais bem-afortunados e com hipóteses “uma-num-milhão”, estilo o caso do Facebook ou Google que hoje pupulam os media.

Quanta à experiência como “empreendedor” Pedro visualiza-a mais como uma parte integrante da sua vida actual “vejo mais a sua dimensão pessoal do que profissional, económica ou política. Percebo a importância que os empreendedores têm para o país, como seria óptima estratégia política investir-se mais no empreendedorismo de qualidade. E conheço o estereótipo do empreendedor, ouço as dicas ao empreendedor, muitas vezes importadas de outros países onde existem mais órgãos de apoio e infelizmente não aplicáveis à minha realidade local. “
Em jeito de síntese, é valorizada a experiência de empreender como ela é e pelo que vale.

Esta fase da minha vida surgiu de uma forma natural, causada pela minha personalidade e por aqueles que me são próximos

O concurso
E qual o segredo para ganhar 100.000 Eur. num concurso a nível internacional ?
Sendo um tipo com mais vocação técnica, Pedro gastou mais de 60% do esforço total em marketing e valeu-se do nacionalismo Português. Na campanha de angariação de votos as mensagens aludindo à “competição renhida com a Espanha” eram as mais eficazes ao contrário das que informavam sobre um prémio.

Na primeira fase, estava a ser avaliado por um juri semi-técnico local e acho que ganhamos devido à experiência que já tínhamos a programar com aqueles smartphones.
Acho que valorizaram muito que tivesse feito uma aplicação muito simples, que resolvia um e só um problema mas que o resolvia bem.
A segunda fase foi decidida por votação pública online e envolveu convencer o máximo de pessoas possíveis a irem votar. Eu tinha confiança na qualidade da aplicação, mas estava a competir com países
mais populosos. Foi incrível ver como a família e amigos levaram isto a sério. Cheguei a saber de pessoas que souberam da votação em quarto grau. Para além disso tive ajuda de jornais e blogs, usei o Facebook e o Twitter e várias universidades incitaram todos os seus alunos a votarem.

Artigo na revista TechCrunch.
Artigo no site da Vodafone.


One Comment on “Pedro Campos vencedor Vodafone AppStar”

  1. 1 Tweets that mention Pedro Campos vencedor Vodafone AppStar | n'Ship -- Topsy.com said at 6:33 pm on Agosto 12th, 2010:

    [...] This post was mentioned on Twitter by felipeacosta, Tiago Matos. Tiago Matos said: "Criar valor, abrir caminho, criar postos de trabalho, trabalhar e arriscar" foi o que levou Pedro… http://bit.ly/akWcPs [...]


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