Startup Chile Competition / a experiência
Posted: Outubro 25th, 2010 | Author: tiagomatos | Filed under: In Loco, Start-upsTags: chile, competition, startup chile | 1 Comment »
Domingo, dia 15 de Agosto, e eu sentia-me como o dia chuvoso e soturno que era. Estávamos em contagem decrescente para umas merecidas férias depois de um empolgante mas cansativo ano, entre os eufóricos altos e aterradores baixos, próprios de uma jovem empresa e eu deambulava pela Internet enquanto dava por resolvidos alguns dos emails pendentes da semana.
De costume fui parar a mais um post da TechCrunch que anunciava uma nova iniciativa destinada a startups de tecnologia, principalmente norte-americanas, criado em regime piloto pelo Governo do Chile. Premiavam a fácil obtenção de visto por um ano, subsidio em 90% até $40.000USD, acesso a uma rede privilegiada de contactos e espaço de escritório em Santiago do Chile. Tudo isto acontece durante 6 meses, na companhia de mais 24 equipas vencedoras.
A incredibilidade não era só minha, dúvidas e questão sem resposta, pupulavam a Internet.
Justificava o promotor principal da iniciativa, o Ministro da Economia, a necessidade de fomentar e aumentar o empreendedorismo Chileno através da troca de experiências entre os empreendedores emprestados e as empresas e universidades locais.
Antes de ler o artigo, nunca me tinha cruzado pela cabeça emigrar para o Chile a título de trabalho. Na verdade para qualquer sitio da América do Sul. No entanto também não consigo justificar o “porque não”.
Depois de ler toda a informação disponível, abrir o Google Maps para validar geograficamente o Chile, questionei-me a mim mesmo sobre as possibilidades da nossa selecção e pensei “o pior que poderá acontecer é absolutamente nada”. Decidi candidatar-nos.
A candidatura era extensa, demorei quatro horas a completa-la, pedia-nos toda a informação pessoal, incluindo cópia do passaporte, descrição do projecto, histórico académico e profissional dos promotores e, finalmente, um calendário de actividades a cumprir durante os seis meses do programa e investimento associados a cada uma. No final deste processo, era necessário submetemos o nosso respectivo Plano de Negócios (ou mais concretamente um sumário executivo mais detalhado).
Sinceramente, depois de um ano a submeter repetidamente o mesmo tipo de informação para tantas entidades, trata-se de algumas horas de copy&paste e umas edições no texto.
No momento seguinte recebi o email de confirmação da nossa candidatura, com o número a passar da centena. Nunca tivemos grande esperança neste tipo de lotarias…
Dois dias depois, Terça-Feira, recebemos a resposta: fomos pré-seleccionados. É-nos confirmada a primeira reunião com o sub-comité responsável pela selecção das equipas nessa mesma semana e a necessidade da entrega de um vídeo relativo ao nosso projecto com duração máxima de 7 minutos e, caso sejamos bem sucedidos, uma entrevista final que se seguiria na Quarta-Feira seguinte, dia 25 de Agosto.
Um par de dias para criar e entregar um video de 7 minutos é pouco tempo, mas mais uma vez fomos salvos pelos slides das várias apresentações já criados. Bastou compila-los em forma de vídeo. Ficou entregue às 2 horas da manhã do anterior à data limite. Mais tarde soube que fomos a única equipa a preparar tal vídeo.
Durante a primeira entrevista, falamos do projecto, projecções, e mais incrivelmente, da nossa disponibilidade imediata de emigração para o Chile. Refugiei-me em “se as condições forem favoráveis”, “não é de descurar a possibilidade” e “esta questão apanhou-nos desprevenidos”. Pareceu-me ter corrido bem, como também me pareceu estarem eles tanto em modo “startup” como nós próprios.
Fui preparando as malas de viagem para férias enquanto simultâneamente preparávamos a entrevista final, marcada para 25 de Agosto. Esperei em casa, já de férias, a entrevista com hora marcada às 19.00h (o fuso horário com o Chile é largo). Depois de uns atrasos, visto sermos a última equipa em entrevista, pediram-nos acesso ao vídeo que fizemos, trocamos umas palavras por Instant Messaging e foi só. Ao contrário da entrevista preliminar, esta tardou menos de 5 minutos e sem grandes perguntas ou reticências:
- É preciso ligar a vídeo-conferência?
- Não é necessário desta vez. Não temos mais perguntas.
Parecia-me que tínhamos falhado em grande.
No mesma noite, antes de sair para o rotineiro “café” da noite, recebemos a confirmação oficial por email “Congratulations! Your project has been selected to participate in Start-Up Chile’s 2010 program”. Terminando com a pronta alusão aos preparativos de viagem.
Ficamos estupefactos. Exactamente 10 dias antes, enxugava eu um pouco da minha melancolia Domingueira num artigo sobre um qualquer concurso a acontecer do outro lado mundo e agora começava, lentamente, a materializar a realidade de viver meio ano no Chile.
Esta materialização passou por procurar passagens áreas, reavivar velhos amigos no Chile, fazer novos que por lá habitaram ou habitarão, interessar-nos por aquele imenso país, conhecer à distância as outras 24 equipas participantes, desenferrujar o espanhol, dar a conhecer a noticia aos amigos, família e colegas de trabalho e compactar uma vez mais a vida num máximo de 20kg 15kg (vamos pra Londres com a Raynair
) em malas.
Viajamos agora em direcção à reunião com o cônsul Chileno em Lisboa, e receber o nosso visto temporário de residência, válido por um ano. Hoje. Dia 25 de novo.
Update: Depois de 3 meses, dei a minha opinião sobre o programa Startup Chile a partir do minuto 18, no podcast do Showcase_PT
