"Someone that asks "How can we build a silicon valley?" has probably ensured failure by the way they framed the question. You don't build a silicon valley; you let one grow" by Paul Graham
Breve contextualização: O projecto Qwiki pretende revolucionar o processo de busca na internet. Desenvolve um algoritmo que congrega os resultados dos principais motores de pesquisa, confluindo-os num resultado único e numa curta apresentação audiovisual, relatada por uma voz computorizada. Uma equipa de menos de 10 pessoas desenvolve os primeiros passos do projecto.
Business Model:
Novo modelo de busca. O desenho de processo da nova busca é inovador e torna a experiência mais confortável;
Homem vs. Máquina. A programação desenvolve a inteligência artificial de uma forma praticamente humana, evolutiva ao longo do tempo. Quanto mais tempo passa, mais real e correcto é o resultado, sem acréscimo de trabalho humano;
Publicidade. Como nos principais motores de busca, é expectável que a publicidade e as “referências forçadas” venham a ser a principal fonte de receita.
Custo vs. Proveito:
A start-up ganhou recentemente o concurso TechCrunch e é, provavelmente, o projecto tecnológico que mais atenções tem atraído no início de 2011. Na primeira ronda de angariação de capital, conseguiu atrair $8M de qualidade. Ou seja, para além do encaixe financeiro, conta com investidores consagrados como, entre outros, Jawed Karim (co-fundador YouTube) e Eduardo Saverin (co-fundador Facebook). Com dinheiro e com conselheiros desta craveira as probabilidade de sucesso aumentam consideravelmente.
PS. Incluí, extraordinariamente, esta start-up no blog porque, apesar de ainda não ter rendimentos ou provas de sucesso, já tem suficiente buzz gerado à sua volta e já tem uma avaliação de dezenas de milhões de dólares.
Acabo de regressar de Sillicon Valley, onde fui assistir a um dos principais eventos globais, de partilha e promoção de start-ups: Under The Radar.
Mais uma vez na região de São Francisco, constato que o eco-sistema é, de facto, muitíssimo favorável à criação de novas empresas em áreas tecnologicas: excelentes campus universitários, as maiores empresas tecnológicas do mundo, os principais investidores e… claro, as pessoas que, de todo o mundo, lá vão parar com todo o seu brainpower.
Assisti, durante cerca de oito horas, a mais de vinte apresentações de start-ups (estiveram presentes mais de 30) e destaco algumas notas:
Cardmobili vs. CardStar – media e investidores validaram a estratégia das empresas. Concorrentes directas, parece ser uma corrida, global, a dois. Torço(emos) para que a portuguesa Cardmobili tenha argumentos que a coloquem, em um ou dois anos, como líder destacada da sua actividade (PS. Felicitações à Helena Leite, CEO, que teve a tarefa complexa de fazer a apresentação do seu pitch em ambiente conhecedor e atento, com notas muito positivas do júri);
E-Commerce vs. Mobile+Social Apps – parece conceito generalizado que o dinheiro ronda em torno do comércio online. Inúmeras ideias foram apresentadas tentando chegar mais proximamente ao consumidor, que leva consigo o telemóvel ou computador para a “zona de compra” e, por consequência, as suas redes sociais. Das mais de 10 start-ups a tentar operar neste segmento, 2 ou 3 manter-se-ão activas no futuro. Os meus votos: os americanos CheckPoints; Milyoni; Retailigence e os indianos Zozolo;
NFC, NearFieldCommunication – de alguma maneira, previu-se, objectivamente, o futuro. Pagamentos com dispositivos móveis (telemóveis principalmente) em pontos de venda (PoS, point of sales) vão começar a ser utilizados em 2011. Aqueles que primeiramente estiverem preparados para perceber e colaborar nas novas plataformas, ganharão vantagem (PS. Valerá a pena estar atento aos lançamentos dos novos telemóveis em 2011);
Resta-me, nestas breves notas, dizer que o que se viu e ouviu no evento deve ser tido em consideração. Tanto pelo perfil dos promotores, como pela quantidade notável de dinheiro que já fizeram ou angariaram. Tornando objectivo, entre start-ups já vendidas e start-ups em fase de investimento, devem ter circulado um bilião de dólares pela sala (sim, USD$1 Bi !).
Recentemente escrevi sobre o que é um Elevator Pitch e quais as características que fazem a diferença na criação de um pitch deste género. No entanto, um bom Elevator Pitch não é suficiente para conseguir um investimento, uma compra ou um simples acordo!
Sendo a primeira fase de um processo, um bom Elevator Pitch não leva directamente para um acordo, mas apenas gera um interesse por saber mais. Assim, após um pitch sucessivo, é necessário estar preparado para a fase das perguntas e respostas (Q&A)!
Qual o volume de vendas/encomendas?
Quais são os custos fixos?
Quem é a concorrência?
Existe algo de proprietário no produto, tecnologia ou processo?
Quanto do próprio dinheiro os promotores já investiram no projecto?
… são algumas das perguntas que o empreendedor deverá estar pronto para responder com segurança, sinceridade e confiança, dando sempre a indicação de que conhece bem o mercado no qual está inserido.
Ultrapassada a fase das perguntas e respostas, é hora de entrar na fase final e decisiva do processo… a fase de negociação dos valores envolvidos na proposta. Nesta fase, normalmente a mais tensa e delicada, é fundamental analisar o contributo e a importância que o possível parceiro traz para o processo, de modo a avaliar bem qual é a gama de valores na qual a negociação é proveitosa e de igual forma aproveitar ao máximo as oportunidades que o negócio pode trazer.
Para acabar, deixo-vos com Jonathan Millers, da empresa Element Bars, que apresenta o seu Elevator Pitch para os 5 Venture Capitalists do programa americano Shark Tank, tendo um desempenho especialmente exemplar na negociação com os “tubarões”.
Parte 1
Parte 2
Facilmente, um dos melhores Elevator Pitch + Q&A + Negotiation que vi nos últimos tempos.